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15 de janeiro de 2012

Sem motivo

Sem motivo aparente, sem certeza do que sente ele volta e quer ver o que perdeu. Procura ao seu redor, buscando uma explicação pra essa curiosidade e não consegue entender o que lhe chamou atenção. Um passado tão perto e tão curto, seria assim tão significante?

Ele olha pela janela, buscando uma memória, um lugar na sombra, um som familiar, algo que o leve de volta, mas não encontra. Procura um rosto, mas não vê. Então o que ficou? Será que foi tão curto assim que nem deu tempo de dar motivos pra saudade?

Ele procura um sentimento e a lembrança assusta, lembra da companhia e a saudade bate no vidro da janela, como que dizendo: Olha, tá aqui o seu motivo, você fuçou até encontrar!. A lembrança do início e final tão próximos é o que mais assusta.

Não sente a saudade de ter perto e de querer bem, mas sente a falta dos planos que começara a fazer e das expectativas que ainda tomavam forma. Não houve muito tempo pra apego, mas a presença é sempre real mesmo que por pouco tempo. Sente saudade do que poderia ter sido.

Imagina, porque é só isso que pode fazer e é isso o que faz. Por pouco tempo, pra não perder a razão. Só pra no final estragar tudo outra vez, pra no futuro sentir saudade, lembrar e querer novamente. Tudo se repete, de outras formas, lugares e épocas, mas com o mesmo roteiro e final.

30 de novembro de 2011

E se eu disser, sem medo de ser repetitivo, que cansei?!

E se eu disser que tô vazio? Vai parecer drama? Todos vão me olhar e me julgar? E se eu disser que não consigo, que não acredito mais? Não me digam que não tentei, que não tento todo santo dia, do momento em que acordo até deitar. Vocês não estão aqui dentro, não podem dizer, não são capazes nem de fazer uma remota idéia do se passa aqui, então não venham com conselhos vazios, porque não sou tão prático assim, nem se quisesse conseguiria.

Se eu falar que se pudesse passaria a vida assim, sozinho? Vão achar que eu consigo? Claro, nunca ninguém viu esse coração cheio, ou viu? Nem chegaram perto, o que viram era somente o que poderiam ver, nunca será realmente o que é. Nunca sou somente o que vocês vêm, nunca poderia ser diferente. Mas que diferença faz?

E se um dia eu disser que cansei? que tô puto da vida com a vida e que não quero mais isso? Vocês vão me olhar nos olhos e dizer: Mas você não tem tentado! Não, não tenho tentado ser quem vocês são, não tenho tentado ganhar um momento de prazer em troca de um gozo, não tenho feito esforço algum pra encontrar alguém que me traga isso. Não sou vocês.

E se eu disse que perdi a paciência? Que não tenho saco pra preliminares e posições desastrosas em transas causais com desconhecidos? Se eu disser que não tenho disposição pra encontrar ninguém em um terreno escuro, banco de praça ou motel que seja? Vão me achar ridículo? Claro, não poderia esperar nada diferente, mas é a verdade, não vou mais lá, parei na zona de conforto pra evitar transtornos.

Ah eu vou passar a vida sozinho, porque não me permito? QUE SEJA! Não saio da minha casa, não mudo a minha rotina, nem trago comigo quem quer seja em troca de uns momentos de prazer, de uma aventura. E se eu disser que tenho mais o que fazer do que caçar sexo? EU CANSEI de gente nojenta do meu lado, pedindo desesperadamente por uma transa que o faça sentir vivo!

Preciso de muito mais pra me sentir vivo, me sinto vivo todo dia no meu trabalho, com minhas realizações, a cada novo texto que escrevo, cada coisa que descubro, amigo que faço, música que ouço de manhã cedo ao ir trabalhar. Me sinto vivo com um tempo sozinho, com meus pensamentos, me sinto vivo sentindo paz, sentindo gostos, cheiros. Me sinto vivo e não preciso disso pra viver!

Morro sozinho se pra mudar isso eu precise me esgueirar em busca de alguém que se esconde. Quero poder ver, viver e sentir algo além do toque e do pulsar, preciso de mais que isso pra ser realmente feliz. E se não encontrar? Continuo me dando bem comigo mesmo, convivendo bem com meus pensamentos, mas com a certeza de que um dia chega, pois há mal que pra sempre dure e solidão que não tenha fim!
"Sou assim organizado, meus textos têm inícios e finais bem definidos, parágrafos do mesmo tamanho tornando o texto esteticamente padronizado. Evito repetir palavras, evito escrever demais e fugir do tema proposto, evito colocar vírgula onde não há ou deixar de colocá-las. Sou assim todo certinho, é natural, não tem esforço, escrevo assim e sou assim na vida, gosto de tudo no seu lugar". Tiago Teles

17 de novembro de 2011

Íra!



Dormi em má companhia, esperava alguém do lado mas só tive a mágoa. Senti dentro de mim uma revolta e desencanto que me fizeram cair no sono rapidamente, tamanho anestésico liberado no meu organismo após dissolvida a adrenalina.

Senti ódio, contabilizei os instantes e vi o desequilíbrio. Dormi não querendo sentir aquilo, mas senti e o sono  foi perturbador, fui acordado várias vezes pela consciência oculta da minha culpa em me entregar e confiar, fui incomodado pelo peso dessa falta de compromisso que senti.

E acordei. Acordei com os lábios cerrados e a boca mordida, acordei com as sobrancelhas juntas e o olhar para frente, os ouvidos focados somente no que me importava e atenção garantida, desprezando distrações. Levantei da cama e no banho me vi no espelho e senti fome, somente fome, mas não qualquer fome, era uma fome que vinha dessa mágoa alimentada durante o sono e manifestada com os lábios partidos.

Meu café da manhã? Íra! Sentimento indigesto, mas que alimenta e dá energia, mais do que qualquer outro, que uma vez provado, vicia. Troquei o gosto amargo pelo azedo estampado no rosto, refletido nos músculos tensos e nervos ainda mais nervosos. Foi a primeira refeição do dia e será o que me alimentará até que me deem algo melhor pra comer, que me sustente além das minhas expectativas e frustrações em gente que não vale a pena.







E ponto final.


















12 de novembro de 2011

Olhos castanhos



Em seus olhos castanhos, eu fui embora
Em seus olhos castanhos, eu não pude ficar
Em seus olhos castanhos, você a vê partir

E coloque o disco pra tocar
E se pergunte o que deu errado
O que deu errado?
Se tudo fosse tudo
Mas tudo acabou
Tudo, poderia ser tudo
Se apenas fôssemos mais velhos
 
Eu acho que essa é apenas uma música boba sobre você
E sobre como eu perdi você
E os seus olhos castanhos
 
Em seus olhos castanhos, eu me sentia triste
Porque eles são castanhos e você nunca saberá
Teve alguns olhos castanhos, mas um cara de pesar
 
Eu sabia que isso estava errado
Então, baby, ligue o som
E toque aquela música 
Se tudo fosse tudoMas tudo acabou
Tudo, poderia ser tudo
Se apenas fôssemos mais velhos
Eu acho que essa é apenas uma música boba sobre você
E sobre como eu perdi você
E os seus olhos castanhos
  
Tudo, foi tudo
Mas baby, esse é o último show
Tudo, poderia ser tudo
Mas é hora de dizer adeus, então
Tome suas últimas doses e seu último "hit"
Agarre sua velha garota, com seus novos truques
 
Amor, não é surpresa
Eu me perdi em seus olhos castanhos 
Nos seus olhos castanhos
Castanhos, olhos castanhos
Nos seus olhos castanhos
Castanhos, olhos castanhos
Pegar alguns olhos castanhos
Castanhos, olhos castanhos 
Olhos castanhos
 

11 de novembro de 2011

Eu só quero assim

Porque eu só quero minhas contas pagas, meu cadarço amarrado e dentes escovados. Quero tudo organizado, camisetas dobradas e calças penduras pra não amassar. Quero o chão limpo e mesmo assim sandálias nos pés.Quero sentir o cheiro do hidratante, do desodorante e pasta de dentes. Quero saber que tudo está feito, que a louça está lavada e as roupas no amaciante.

Porque preciso de tudo arrumado, limpo, engraxado, sem poeira e com aspecto bom. Preciso mais do que um canto pra dormir e um prato pra comer, quero a paz de saber que está tudo no seu lugar, tudo no lugar onde escolhi que estivessem. Quero me sentir assim comigo e ver em volta tudo como eu quero. Não quero ter me preocupar com o boleto que vai entrar e trancar a porta na hora que deitar.

Não quero olhar e ver que alguém passou e deixou, quero eu ir lá e fazer, sentir o simples e suave aroma do jasmim. Quero acordar e saber o lugar de tudo sem precisar abrir os olhos. Da mesma forma ao deitar, quero pegar o cigarro ao lado do livro e o isqueiro junto a carteira e sentar na janela, esperando acabar. É assim que eu quero e só isso me satisfaz, tudo do jeito que eu sempre tive e fiz,  nada diferente disso...

Quem me segue...